A CORRIDA É UM MERCADO CADA VEZ MAIS PROMISSOR E QUE ENVOLVE UMA ENORME CADEIA PRODUTIVA

Quem é praticante de corrida em Fortaleza, já conhece bem a realidade do calendário de provas. Um levantamento feito pela Federação Cearense de Atletismo aponta que, em 2015, foram realizadas cerca de 80 corridas de rua. Ricardo Ramalho, proprietário de uma empresa que organiza eventos na capital cearense, aponta que a modalidade já é a segunda com mais adeptos no Brasil. Em Fortaleza, estima-se que existam 10 mil praticantes de corrida. “Um corredor médio, que viaja para competir provas fora do Estado, compra suplementos, faz um acompanhamento nutricional, entre outras coisas, gasta em torno de 12 mil reais por ano”, comentou Ricardo.

img-negocios-da-corrida01-800x723E esse mercado é bastante aproveitado pelas assessorias esportivas, cada vez maiores e mais especializadas. Estimase que existem cerca de 120 assessorias e grupos de corrida espalhados pela cidade. Em reportagem especial nesta edição da Viva Corrida você conhecerá

 

“Fortaleza como destino turístico, a Meia Maratona recebeu atletas de 21 estados brasileiros, quatro países da África e dois da Europa.”

o exemplo do Centro Administrativo do Cambeba, antes espaço de decisões importantes e hoje palco para cerca de 15 assessorias promoverem saúde.

“É um mercado bastante promissor pois toda uma cadeia produtiva surge em torno da corrida, como clínicas de fisioterapia especializadas no esporte, nutrição ou medicina esportiva, além de lojas de suplementos, tênis e roupas voltadas para esse segmento”, disse Ricardo Ramalho.

Em Fortaleza, uma rede de farmácias promove anualmente uma corrida de rua. Quando começou, eram duas mil vagas. Em 2011, 2012 e 2013, cinco mil para cá. Em 2014, já aumentaram para oito mil vagas, em percursos de dois, cinco, dez quilômetros e meia-maratona. Em 2015, a corrida reuniu 10 mil corredores.img-negocios-da-corrida02-800x723

A Meia Maratona de Fortaleza, uma das mais tradicionais e em sua 13ª edição, levou oito mil competidores às ruas, em um percurso que contemplou pontos históricos da cidade. Para o organizador da prova, Colombo Cialdini, esse é um dos fatores positivos para a realização das provas: a orla agradável e extensa, que favorece não apenas a corrida de rua, mas esportes náuticos. Fortaleza como destino turístico, a Meia Maratona recebeu atletas de 21 estados brasileiros, quatro países da África e dois da Europa.

No entanto, Cialdini alerta que “é necessário que os órgãos públicos se envolvam, principalmente os ligados ao trânsito, e que todos entendam que essa é uma prática mundial. Grandes cidades, como Londres, Nova York, Paris, param para fazer suas comemorações através do esporte. O esporte é vida. É lamentável o pouco apoio dado pelos poderes a esse tipo de evento: entidades federais, estaduais e municipais. Esses apoios estão diminuindo. As corridas dependem desses apoios. Só com o valor das inscrições a gente não sobrevive”.

Para ele, o ideal era que a quantidade de corridas diminuísse e houvesse mais qualidade nas competições. “Poderíamos criar um circuito passando por todas as regiões do Estado, promovendo desta forma a prática do esporte no Ceará”, sugeriu.

img-negocios-da-corrida03-800x723Competições internacionais

Para se ter uma ideia do potencial econômico do esporte no Ceará, Fortaleza recebeu pela segunda vez uma etapa do Ironman. Havia uma expectativa de que quatro a seis mil pessoas, entre atletas e acompanhantes, viessem à Capital em razão da prova. De acordo com a Secretaria de Turismo do município (Setfor) o Ironman movimentou em torno de R$10 milhões.

“De acordo com a Secretaria de Turismo do município (Setfor) o Ironman movimentou em torno de R$10 milhões. A disputa contou com atletas vindos de 38 países.”

A disputa contou com atletas vindos de 38 países. Além dos ganhos em exposição da cidade em um evento internacional, Elpídio Nogueira, titular da Setfor, avalia que a valorização cambial do dólar em relação ao real neste ano foi benéfica para a Capital. “O cálculo que a gente fez é que cada visitante gastou em média 500 dólares, o que em 2014 representava R$1.100. Este ano, com a alta do dólar, a expectativa é dobrar esse valor”.

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