OS DESAFIOS SÃO MUITOS, MAS A MODALIDADE VEM TRANSFORMANDO VIDAS

“Incluir não é só deixar participar, é oferecer condições de competir”, o recado foi dado pelo presidente da Associação dos Deficientes, Felipe Nogueira. Se a vida de atleta amador não é simples, imagine para os que possuem algum tipo de deficiência. A primeira barreira, como acontece com a maior parte dos atletas, é a financeira. Mas junto dela tem várias outras, a dificuldade de transporte é uma delas. “A mobilidade urbana não permite um deslocamento adequado das pessoas portadoras de deficiência para os locais do treino e nem mesmo nos treinos”, conta Felipe.

 

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TROQUEI A ROTINA DE DOENÇAS, POR UMA VIDA MAIS SAUDÁVEL: Com o diagnóstico de Mielomeningocele, Fah Fonseca começou desde os primeiros dias de vida uma competição com a própria vida. Até os 12 anos, dependia de bota ortopédica para poder caminhar pela cidade que ela diz tanto amar. Aos 13, Fah descobriu que não poderia mais andar. “Desde então e até os 17 anos só saía de casa para a escola, não tinha vida”, desabafa. Foi quando o esporte lhe devolveu a vontade de viver. Tudo começou com o basquete, mas foi com o atletismo que Fah se descobriu. Praticando o esporte há seis anos, ela comenta que trocou a rotina de doenças por uma vida mais saudável. “Nasci realmente aos 17 anos”, relata.

A associação que ele preside assiste atualmente 35 atletas que atuam em diversas modalidades como natação, atletismo e futebol para amputados. Um time cearense desta modalidade inclusive deixou de disputar um campeonato por falta de apoio. “Os atletas não conseguiram dinheiro para custear as passagens. É triste”, desabafa.

E a realidade é realmente dura. A vida de Francisco Vilmar da Silva mudou drasticamente depois que teve de amputar a perna por causa de um acidente de trânsito. Não bastasse as dificuldades vividas com a esposa e quatro filhos, Vilmar tem de enfrentar diariamente uma rotina complicada para ir treinar, já que encontrou no esporte uma alternativa para não cair em depressão. “Ele não falta treino”, comenta Felipe Nogueira. O resultado de tanto esforço veio em forma de medalhas e títulos. Além de campeão cearense de natação, Vilmar tem resultados expressivos no arremesso de peso e de dardo no ranking das regiões Norte e Nordeste.

A dificuldade da paratleta Fah Fonseca começa no simples deslocamento de casa para o local do treino. “Andar pela calçada já é uma corrida de obstáculos”, comenta. A sina prossegue com a paciência por esperar um transporte adaptado que a leve até a Unifor, onde Fah treina. Como se não bastasse tudo isso, a paratleta ainda tem de enfrentar a dificuldade financeira, já que recentemente o benefício do bolsa-atleta que recebia do governo federal foi cortado. Mesmo com tudo isso, Fah Fonseca comemora excelentes resultados nas meias maratonas de Portugal e do Japão, quando conseguiu, respectivamente, terceiro e segundo lugares.

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