O EXERCÍCIO É REMÉDIO, MAS A DIFERENÇA ENTRE O REMÉDIO E O VENENO ESTÁ NA DOSE.

A função da atividade física regular é manter ou melhorar nossa saúde física e mental. Muitos dos efeitos do exercício físico nos vários sistemas do nosso organismo estão bem esclarecidos. Entretanto, praticar exercício físico pode não ser normal e saudável quando realizado em excesso, comenta o médico do esporte, Flávio Henrique.img-comportamento01-459x663

Muitos pensam que o vício em exercício está distante da nossa realidade, mas pesquisas apontam que depois do número crescente de informações científicas e da mídia sobre os efeitos benéficos da prática de atividade física sobre a saúde, os viciados em exercício estão cada vez mais comuns.

E existe um nome para isso: vigorexia. A vigorexia é uma alteração no comportamento que se enquadra entre os transtornos dismórficos corporais. Isso quer dizer que é uma desordem intimamente ligada a uma imagem distorcida do próprio corpo. “Trata-se de uma visão narcisista”, comenta Flávio Henrique. A pessoa olha para o espelho e nunca está satisfeita com o seu visual, semelhante ao que acontece com a anorexia. “Estudos apontam que 28% dos atletas, sejam amadores ou profissionais, já apresentam esse tipo de distúrbio, o que é extremamente preocupante”, revela o médico.

“Pesquisas apontam que depois do número crescente de informações científicas e da mídia sobre os efeitos benéficos da prática de atividade física sobre a saúde, os viciados em exercício estão cada vez mais comuns.”

Os indivíduos vigoréxicos usualmente se descrevem como fracos, pequenos, mesmo tendo desenvolvido musculatura acima da média. O resultado é que acabam desenvolvendo a dependência pelo exercício físico e uma espécie de obsessão pelo corpo musculoso, uma vez que nunca se satisfazem com a condição em que se encontram, ou seja, nunca se sentem suficientemente fortes ou musculosos.

Pessoas viciadas em exercício físico têm uma agenda rígida de treinos intensos e quando interrompidas são acometidas por um forte sentimento de culpa. Muitas vezes a pessoa deixa de lado o convívio com a família ou com os amigos para ir treinar. É como se somente o exercício pudesse oferecer o prazer necessário para aquele indivíduo.

Existem algumas justificativas científicas para esse comportamento. Primeiramente ocorrem algumas alterações no cérebro induzidas pelo exercício. Por exemplo, o cérebro libera algumas substâncias como as endorfinas, responsáveis pelo estado de euforia após o exercício e outros neurotransmissores como a serotonina, relacionada com a ação de bem-estar, com os processos de humor, ansiedade e sono. Quem pratica exercício físico como a corrida sabe bem a sensação de prazer que se sente quando termina um treino mais intenso ou uma prova mais complicada.

“É preciso deixar claro que aquelas pessoas que praticam esportes para manter ou melhorar a saúde física e mental, não precisam interromper suas atividades físicas ou esportivas achando que estão viciadas, mas é importante observar os sinais de vício.”

Os pesquisadores acreditam que a serotonina liberada durante o exercício pode agir como um antidepressivo. Para muitos praticantes, a interrupção da atividade esportiva repentinamente (como lesões) pode resultar em depressão – leia mais na coluna Superação. É preciso deixar claro que aquelas pessoas que praticam esportes para manter ou melhorar a saúde física e mental, não precisam interromper suas atividades físicas ou esportivas achando que estão viciadas, mas é importante observar os sinais de vício.

Para o psicólogo Ricardo Ângelo é importante incluir na rotina de qualquer atleta outras atividades que o façam sentir bem como ir ao cinema, ler um livro, ir à praia, entre outras. “A qualidade de vida que o exercício físico proporciona deve ser associada ao equilíbrio com outras atividades”, comenta.

img-comportamento02-570x397HISTÓRIA REAL

O triatleta DR (nome vai ser preservado) só encontrava prazer nos treinos. Deixou de conviver com amigos, indo dormir mais cedo sempre que havia treino de manhã cedo. Emagreceu bastante e nunca estava satisfeito com o corpo e muito menos com os resultados que obtinha. “Até as horas com a minha namorada eram poucas porque eu só pensava em treinar mais e mais”, comenta. Até que um dia, ele resolveu dar um basta em tantos treinos. Noivou, casou, diminuiu bastante o número de treinos e agora pensa em outras atividades, além dos treinos. “Quando a gente percebe tanto tempo que perde só treinando, como se só aquilo desse prazer, é que cai a ficha de que o fundamental na vida é o equilíbrio”, declarou.

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