EM UMA PROVA MUNDIAL EM QUE O ÍNDICE DE DESISTÊNCIA DURANTE A CORRIDA CHEGA A 40%, PLAUTO MUDOU O JOGO E FOI ATÉ O FIM

Você que começou a correr faz pouco tempo, já traçou algum objetivo para 2016? Os primeiros 5km, ou os 10km, quem sabe a primeira meia maratona ou o desafio de muitos atletas que é completar uma maratona. Já pensou? Agora imagina correr 120km. Foi este o objetivo que Plauto Holanda traçou há três anos. Meta alcançada no último dia 27 de agosto. O cearense finalizou os 120 km da Ultramaratona de Montanha de Montblanc em 31h54min.

A ideia surgiu em 2012. Para chegar ao seu objetivo, Plauto tinha que pontuar em provas de percursos de longas distâncias. Somente atletas que atingem a pontuação necessária se credenciam para um sorteio da prova tão sonhada pelo ultramaratonista. E deu certo. Depois de percorrer literalmente um longo caminho, o atleta chegava ao tão sonhado objetivo.

“O percurso era muito acidentado. Havia uma quantidade grande de subida e de descida. Até o quilômetro 15 eu estava entre os 100 primeiros colocados, foi quando por volta do quilômetro 86 comecei a sentir muita dor na coxa e no pé”, conta o ultramaratonista.

Mas a dor não foi desculpa para ele abandonar a prova, conhecida mundialmente pelo alto índice de desistência, que chega a 40%. Ele mudou a estratégia. O objetivo, além de concluir, era terminar a prova em 30h. O tempo limite para cruzar a linha de chegada era 33h. Plauto resolveu então diminuir o ritmo e evitar uma lesão que poderia tirá-lo da prova.

Afinal era mais de um dia inteiro de prova, clima variado durante o percurso, além de ter que lidar com o escuro e cerca de 7.250m de altimetria total. Perguntado sobre o que pensava e sentia durante o percurso ele contou: “Eu parava, sentava, tirava pedrinhas do tênis. Comia sem muita pressa, não me encostava na mesa como outros faziam, e já saia. Eu levei gel e deixei pães nos pontos de apoio. Pensei muito na minha família e no meu objetivo de alcançar a linha de chegada. Esqueci meu remédio de hipertireoidismo, o que me deixava bastante sonolento, mas em nenhum momento pensei em desistir. Tinha horas que eu dormia andando”.

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Para passar o tempo e manter a concentração, Plauto tinha uma estratégia curiosa: cantava músicas infantis lembrando da filha de um ano que deixou no Brasil. “Fiquei surpreso com minha capacidade de concentração. Já sabia o que era passar uma noite fazendo uma prova. Fiz poucos treinos longos, por causa da falta de tempo, mas a minha vontade de chegar ao fim sempre foi maior”, comentou.

E depois de 31h e 54 min, Plauto encerrava um planejamento de três anos. E quem pensa que depois disso tudo ele vai descansar, está enganado. O ultramaratonista completou o Ironman Fortaleza no dia 8 de novembro. img-eu-fui03-350x500Ele foi guia de Paulo Cardoso, único atleta deficiente visual a fazer a prova.

 

 

 

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